quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Pathetique Sonata"

  Percebe-se introvertido; um descuidado sorriso sem fim ilustra um tangível e patético sentimento. Perdera as horas, perdera o ar, manteve o chão, ainda o sentia gelado em seus pés descalços, úmidos como a chuva clichê que aspergia água nas portas de vidro da sacada do décimo andar, um descuidado alento natural. A incúria latente sob as palavras não ditas disputando peso com as proferidas mas que soaram espúrias na balança do destoante e do relevante. Suavemente o diálogo intrínseco manifestava aquilo que estava no interior e que lhe era próprio e essencial mas que ainda eram sinônimos tímidos de um sentimento que não falava por si só, mas chorava as lágrimas quentes de uma sensibilidade incógnita, incapaz de se conhecer, inerente à luz da experiência. 
  Nota-se irrefletido; uma desconfortável despedida, que outrora em sua cabeça fantasiara infinitas vezes, passara na realidade tão palpável quanto o vento; soprando longe sua elucubração orgânica, constante e condicionada; a noite se fora, tudo voava perdido a se molhar na chuva fina sacada afora até se desfalecer tornando-se aquilo que de origem sempre fora: um patético sentimento.

3 comentários:

  1. "eram sinônimos tímidos de um sentimento que não falava por si só, mas chorava as lágrimas quentes de uma sensibilidade incógnita"

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. me pergunto até hoje o 'quem' por traz de ti...

      Excluir